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Homem entra em escola de Espera Feliz e ameaça matar alunos

ESPERA FELIZ – No mesmo dia em que um vigia provocou uma massacre em Janaúba, colocando fogo no próprio corpo e nas crianças da Creche Gente Inocente, na última quinta-feira (05), um jovem de 24 anos entrou em uma escola da cidade de Espera Feliz (26 km de Carangola) e ameaçou matar os alunos.

Segundo a Polícia Militar, o homem chegou na Escola Estadual Fazenda do Paraíso, e disse que ia matar a irmã de 16 anos, que é aluna da escola, outras crianças e adolescentes e funcionários, levando pânico a instituição. Muitas crianças começaram a chorar e a tentar correr.

Funcionários da escola contaram aos militares que o suspeito tem problemas mentais e que entrou no local muito agressivo e transtornado. Com muita dificuldade, funcionários conseguiram conter o jovem e retirá-lo da escola e ao sair ele disse que voltaria para matar a todos. A polícia foi até o local e constatou que o suspeito não estava armado.

Uma psicóloga e uma enfermeira, ambas do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) onde o autor faz tratamento, foram até a escola e o levaram para o Hospital de Espera Feliz, onde foi medicado, e depois ele foi internado no Centro de Atendimento Psiquiátrico Aristides Alexandre Campos, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, na região Sul Capixaba.

Pais de alunos que ficaram sabendo das ameaças foram até a escola buscar os filhos e as aulas na última quinta-feira (05) foram suspensas, mas foram retomadas na sexta-feira (06). A reportagem não conseguiu contato com a escola.

Veja nota da secretaria de saúde da cidade sobre o caso:

Os serviços públicos da Prefeitura Municipal de Espera Feliz/MG, supras citados, vem a público informar sobre o usuário do serviço substitutivo Centro de Atenção Psicossocial, CAPS-I, de Espera Feliz em crise/surto, conforme veiculado em mídia em 06/10/2017, sendo:

Desde 2015 em acompanhamento pelo serviço de saúde mental de Espera Feliz, CAPS-I, o usuário que apresenta um diagnóstico de transtorno mental, tratável e socialmente aceito, diante a estabilidade e pouca limitação mental trazida em decorrência deste, vive em comunidade e em família há tempos.

Após modificação no status de vida relativo a moradia e convivência familiar do usuário, acontecido a partir do segundo semestre do corrente ano, o qual foi deixado morando sozinho em casa de condições totalmente insalubre, iniciaram-se as alterações psico-comportamentais do mesmo.

O usuário sempre foi acolhido e tratado no CAPS, com psicoterapia, consulta médica e prescrição medicamentosa, entre outros, e apresenta comportamento totalmente diferente do que em sua comunidade.

A modificação em seu status de vida, fez com que tudo se transformasse para ele, precisando de auxílio e só encontrando no CAPS, que priorizou seu atendimento, sendo ouvido diariamente por todos as profissionais e utilizando medicação mais forte. Paralelamente, a ação social estava agindo, dentro de suas limitações, uma vez que a mãe do mesmo mora na cidade do Rio de Janeiro, é sua tutora, porém não se responsabiliza pela saúde nem pela vida do usuário. Conversação que vem acontecendo há um mês pelo menos, mas sempre com a negativa de comparecimento ou co-responsabilização.

Diante de fatos que alteraram sua estabilidade, o usuário entrou em sofrimento psíquico, causando intercorrência na doença diagnosticada, tratável e que se encontrava estável, tronando-se agressivo.

A hipótese de internação, em leito de retaguarda em hospital geral, pois somos contra a volta dos manicômios, que esquecem, abandonam e “destratam” o ser humano,  foi considerada pela equipe CAPS, porém como último recurso, uma vez que havia suporte técnico, médico e medicamentoso para tratar a agudização do transtorno mental do usuário, que necessitava, além desses recursos, de apoio familiar e social. O que não ocorreu, desencadeando agressividade, com risco para outros e para si. Sendo então, necessária a internação para estabilização do usuário, conversação familiar e posteriormente, com a comunidade.

Todos os dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial-RAPS (conforme Portaria 3088, de 23 de dezembro de 2011), do  município: Equipe de Saúde da Família, Núcleo de Apoio à Saúde da Família, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS-I), SAMU, e Hospital de Espera Feliz, estão  envolvidos e imbuídos para tratar o usuário. Assim como a Rede de Atenção Psicossocial do Região de Saúde da Região, os quais nos dão suporte de internação e técnico, para minimizar os fatores desencadeantes de sofrimento/desequilíbrio mental do mesmo, assim como atender, ouvir e conversar com familiares e comunidade.

Por: Click Carangola | Com informações da PM e jornal O Tempo.

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